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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A verdadeira história do Velho Oeste

Dica de Leitura da semana: “Enterrem meu coração na curva do rio” - Dee Brown



Não é um longo romance sobre peles-vermelhas e cowboys. São fatos históricos que desvendam todo o mistério e magia por trás dos grandiosos filmes hollywoodianos que transmitiam uma imagem impecável e sedutora de cowboys “mocinhos” que defendiam suas terras dos maldosos e selvagens índios. Publicado pela primeira vez em 1970, o livro foi traduzido para dezessete línguas e vendeu milhões de exemplares. Com ele, Dee Brown, um dos maiores especialistas em história norte-americana, mudou para sempre o modo do mundo ver a conquista do Velho Oeste, desmistificando a história entre mocinhos e vilões do Velho Oeste, que foi febre em décadas passadas.

A ficção passa longe dos relatos presentes no livro, que faz uma coletânea muito bem estruturada de diversos textos da época em que as terras dos sioux, utes, dakotas, cheyennes e outros eram arrancadas de suas mãos pelos homens brancos, enquanto suas esposas e filhos eram massacrados pelo único pecado de nascer e crescer em solo de propriedade dos “casacos azuis”, como são citados os soldados norte-americanos no livro. Interessante ressaltar que há trechos escritos pelos próprios índios, que até o fim tentaram manter a fé no homem branco e preservar suas crenças.

Abaixo um trecho que vale a pena ser citado:

"Onde estão hoje os Pequots? Onde estão os narragansetts, os moicanos, os pokanokets e muitas outras tribos outrora poderosas de nosso povo? Desapareceram diante da avareza e da opressão do Homem Branco, como a neve diante de um sol de verão. Vamos nos deixar destruir, por nossa vez, sem luta, renunciar a nossas casas, a nossa terra dada pelo Grande Espírito, aos túmulos de nossos mortos e a tudo que nos é caro e sagrado? Sei que vão gritar comigo: Nunca! Nunca!"
TECUMSEH, dos shawnees

 As cenas muito bem descritas das guerras e suas conseqüências são chocantes. Não há quem não fique sensibilizado. Não há como não sentir desprezo pelos homens que decidiram caçar outros seres humanos como animais selvagens com medo de que eles interferissem em seus planos – que como sempre visavam muito lucro e expansão de seus próprios negócios. Os índios só queriam uma coisa: Viver em paz em sua terra. Cultivar, criar seus filhos, caçar o búfalo e viver em paz com o “Grande Pai”. Mas tudo que parecia tão pouco foi negado ao povo de pele vermelha. Diversos anos após toda a glamorização do homem branco no velho oeste, onde com toda sua virilidade e pose heróica escalpelava e massacrava os cruéis índios, à verdade vem à tona nessa incrível obra de Dee Brown. Até mesmo quem não gosta de livros históricos vai se surpreender com o recheio de “Enterrem Meu Coração na Curva do Rio”. E mentirá quem disser que não se lembrará da música “Índios” do Legião Urbana ao ler desde os primeiros ao último contato dos povos nativos da América com o seu algoz: o homem branco. 

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